A coluna hoje publica um material de pesquisa interessantíssimo que foi postado no blog BrHistória, da jornalista Cristiane Costa. Ontem. 1o de abril, fez 45 anos do golpe militar de 1964, um dos mais violentos e sanguinários da história da América do Sul. A grande mídia, além festejar o golpe ainda é parceira direta nas torturas e mortes e no pior dos crimes: o ataque à informação e a memória.
Pois bem, a colega Cristiane Costa conseguiu trechos dos “grandes” jornais brasileiros nos primeiros dias de golpe militar no Brasil. É uma leitura obrigatória e uma reflexão necessária porque, apesar dos 45 anos do golpe militar, uma ditadura ainda não foi superada: a da mídia, cada vez mais forte, ampla, concentrada e arredia a qualquer debate sobre as comunicações no Brasil.
Enquanto centenas de pessoas – inclusive mulheres e crianças - eram presas sem qualquer ordem legal, barbaramente torturadas, executadas e “desaparecidas”, veja, logo abaixo, como a grande mídia tratou o início de um dos períodos mais violento e sangrento da história do Brasil.Leia:
Ressurge a Democracia! Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente das vinculações políticas simpáticas ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é de essencial: a democracia, a lei e a ordem.
Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas que, obedientes a seus chefes, demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.
Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ter a garantia da subversão, a ancora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada ...
O Globo - Rio de Janeiro - 4 de Abril de 1964)
Multidões em júbilo na Praça da Liberdade. Ovacionados o governador do estado e chefes militares. O ponto culminante das comemorações que ontem fizeram em Belo Horizonte, pela vitória do movimento pela paz e pela democracia foi, sem dúvida, a concentração popular defronte ao Palácio da Liberdade. Toda área localizada em frente à sede do governo mineiro foi totalmente tomada por enorme multidão, que ali acorreu para festejar o êxito da campanha deflagrada em Minas (...), formando uma das maiores massas humanas já vistas na cidade(O Estado de Minas - Belo Horizonte - 2 de abril de 1964)
Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares que os protegeram de seus inimigos
Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais(O Globo - Rio de Janeiro - 2 de abril de 1964)
A população de Copacabana saiu às ruas, em verdadeiro carnaval, saudando as tropas do Exército. Chuvas de papéis picados caíam das janelas dos edifícios enquanto o povo dava vazão, nas ruas, ao seu contentamento(O Dia - Rio de Janeiro - 2 de abril de 1964)
Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas. Um dos maiores gatunos que a história brasileira já registrou., o Sr João Goulart passa outra vez à história, agora também como um dos grandes covardes que ela já conheceu.(Tribuna da Imprensa - Rio de Janeiro - 2 de abril de 1964)
A paz alcançada. A vitória da causa democrática abre o País a perspectiva de trabalhar em paz e de vencer as graves dificuldades atuais. Não se pode, evidentemente, aceitar que essa perspectiva seja toldada, que os ânimos sejam postos a fogo. Assim o querem as Forças Armadas, assim o quer o povo brasileiro e assim deverá ser, pelo bem do Brasil(Editorial de O Povo - Fortaleza - 3 de abril de 1964)
Desde ontem se instalou no País a verdadeira legalidade ... Legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-a no que de mais fundamental ela tem: a disciplina e a hierarquia militares. A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas(Editorial do Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 1º de abril de 1964)
Milhares de pessoas compareceram, ontem, às solenidades que marcaram a posse do marechal Humberto Castelo Branco na Presidência da República ...O ato de posse do presidente Castelo Branco revestiu-se do mais alto sentido democrático, tal o apoio que obteveCorreio Braziliense - Brasília - 16 de abril de 1964)
Vibrante manifestação sem precedentes na história de Santa Maria para homenagear as Forças Armadas. Cinquenta mil pessoas na Marcha Cívica do Agradecimento
(A Razão - Santa Maria [RS] - 17 de abril de 1964)
Vive o País, há nove anos, um desses períodos férteis em programas e inspirações, graças à transposição do desejo para a vontade de crescer e afirmar-se. Negue-se tudo a essa revolução brasileira, menos que ela não moveu o País, com o apoio de todas as classes representativas, numa direção que já a destaca entre as nações com parcela maior de responsabilidades.(Editorial do Jornal do Brasil - Rio de Janeiro - 31 de março de 1973)
Golpe? É crime só punível pela deposição pura e simples do Presidente. Atentar contra a Federação é crime de lesa-pátria. Aqui acusamos o Sr. João Goulart de crime de lesa-pátria. Jogou-nos na luta fratricida, desordem social e corrupção generalizada.(Jornal do Brasil, edição de 1 de abril de 1964.)
Participamos da Revolução de 1964 identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada. (Editorial do jornalista Roberto Marinho, publicado no jornal O Globo, edição de 7 de outubro de 1984, sob o título: "Julgamento da Revolução").
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