1 de abr. de 2009

Uma ditadura que não acabou

Hoje completa 45 anos de um dos mais trágicos momentos da vida brasileira. Em 31 de março de 1964 começava a ser instaurada no Brasil a ditadura militar. Foram mais de 21 anos de um período sangrento, onde reinou a intolerância as idéias e a liberdade, onde a tortura, o exílio e morte eram a regra geral. É preciso sempre lembrar essa data para que ela jamais volte.

Não satisfeita com a possibilidade de reformas de base (entre elas a agrária) que o presidente João Goulart anunciava, diante da grande mobilização popular de apoio a essas reformas e com o temor que o Brasil seguisse os caminhos de Cuba, China e outros países do leste europeu que experimentavam conduções socialistas, a grande burguesia brasileira, amplamente apoiada pelo governo estadunidense, convocou as Forças Armadas para “por ordem” no País.

Apesar de apoiar abertamente o golpe, a imprensa foi censurada. Nos médios e pequenos veículos de comunicação, jornalistas e colaboradores foram presos, torturados, muitos mortos e outros exilados. Foram baixados atos institucionais que encerravam direitos civis das pessoas. O Congresso Nacional é fechado. Assembléias e Câmaras também. No ato 5, há o ápice do regime: institui-se o terrorismo de Estado, inclusive com pena de morte para os que pensassem ser contra o regime.

Com a falência do engodo do Milagre Brasileiro, inflação nas alturas e profunda insatisfação popular, fruto da resistência de muitos militantes sociais, o regime vai se enfraquecendo. Com a campanha cívica das Diretas Já! e a eleição de Tancredo Neves, acredita-se ser o fim desse período mais sangrento. Em certa medida foi, mas uma ditadura em um aspecto permaneceu firme até os dias de hoje: a ditadura midiática, o controle da informação.

No Brasil, por exemplo, apenas seis famílias controlam praticamente quase a totalidade da informação produzida no Brasil. A lei geral da Comunicação de rádio e difusão é de 1962 e até hoje permanece intacta, protegendo a profunda concentração de meios de comunicação nacional, regional e local nas mãos de poucas famílias. A redemocratização da sociedade brasileira não chegou à Comunicação Social.

O grosso da sociedade brasileira ainda hoje é obrigada a consumir informação pasteurizada, homogenia, a mesma linha de pensamento, a visão acrítica, omissa. As versões dos fatos são únicas, iguais e não há vozes discordantes. Direitos humanos é coisa de bandido; greve e movimentos sociais são coisa de vagabundo; serviço público não presta; o que vale é o sucesso pessoal e ele tem que ser conseguido custe o que custar; vale tudo para vencer, o resto que se dane; consuma, vale quem tem; se você está desempregado é porque você é incompetente; etc, etc, etc...

Sem a prisão física, sem a tortura real, sem o medo aparente, a ditadura midiática vai permanecendo e produzindo gerações de alienados. É bem verdade que, como na ditadura militar, também há forte resistências ao poder da grande mídia, como as revistas Carta Capital, Retrato do Brasil, Caros Amigos, Brasil, o jornal Brasil de Fato e principalmente a internet, com dezenas de sites e blogs onde é possível ler os outros lados da história.

Em dezembro deste ano deve ocorrer a 1ª Conferência Nacional de Comunicação, pelo menos foi isso que o presidente Lula anunciou no Fórum Social Mundial no Pará. Nunca na história deste País ocorreu qualquer movimentação do Governo Federal em querer debater a comunicação. Mas os grandes empresários da comunicação, apoiados por uma entidade internacional americana, já anunciaram que vão reagir para que ela não se realize, afinal das contas ainda vivemos em plena ditadura midiática onde a mídia jamais pode ser questionada.

Veremos!

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